"tempos perdidos ocupam-me"
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5 anos
26-05-2006Era por volta das oito da noite, andava eu como habitualmente à briga com o meu irmão. O meu pai estava na janela da casa de banho a fumar o seu cigarro como era de custume. Eu e o meu irmão estavamos na sala, estavamos a brigar por causa do GameBoy. Não havia mais nenhuma razão para a "tal" briga. Sei que senti um arrepio. Ouvi um grito da minha mãe, fui a correr ver o que se passava. Vi-o deitado na banheira. Fiquei tão nervoso, apetecia-me chorar. Naquele tempo ainda era pequeninho, não tinha a ideia da gravidade do que se tinha passado. A minha irmã chamou os bombeiros (era só descer uma rua e estávamos logo lá). Foi no estante como vieram cá a casa. Nesse mesmo tempo, vi o meu pai a dizer uma coisa à minha mãe. Não percebi muito bem, mas depois a minha mãe disse que o meu pai tinha ido para o céu. Nesse momento comecei a chorar e saí de casa a correr. NÃO QUERIA VER NINGUÉM. Quando ouvi a ambulância lá à porta de casa, fui a correr. Queria despedir-me do meu pai, mas um senhor agarrou-me e disse que era melhor eu não ver. Queria-me soltar, queria tanto lhe dar o meu último abraço. Foi assim, que partis-te, foi assim que perdi o meu grande amigo. Hoje faz 5 anos que te perdi. Faz 5 anos que nunca mais pude desabafar contigo. Estejas onde estiveres, quero te dizer: AMO-TE PAI. |
Informações
João Alves "A vida é a infância da nossa imortalidade." (Goethe)
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